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Março – Devocional e Oração

By 1 de março de 2016Notícias - Geral
01 a 21 de março - Devocional e Oração

1º DIA

Tema de Oração: Para uma Juventude com Ousadia para evangelizar a Toda Sociedade
14 de novembro * Vida em Comunidade

Para John Wesley, vida cristã é necessariamente vida em comunidade. A santificação se manifesta não apenas na vida interior e no desenvolvimento do caráter individual, mas também nas relações com as demais pessoas e a sociedade. Com essa perspectiva comunitária, ele escreveu textos os mais diversos, desde uma repreensão aos violadores do domingo até um conselho a um determinado soldado. A uma prostituta, recomenda aceitar Jesus Cristo como Salvador e abandonar o caminho da prostituição:

Rogo que reflita a respeito dessa simples pergunta: está caminhando em direção ao céu ou ao inferno? Para onde leva esse seu caminho? Nunca ouviu que os adúlteros e os fornicadores não herdarão o Reino? Não sabe que o seu corpo é, ou deveria ser, templo do Espírito Santo que está em você? Pobre e desgraçada mulher! Não é verdade que você mesma se envergonha da sua conduta? Permita à sua consciência falar na presença de Deus! Não é verdade que, nesse momento, o seu coração a está condenando? Pelo menos uma vez, coloque a mão sobre o coração e atreva- se a fazer as seguintes perguntas: o que estou fazendo com a minha vida?, aonde conduz tudo isso?

Quanta infâmia e desprezo tem acumulado sobre seus ombros! Como poderá se apresentar diante dos familiares e amigos que tanto a amavam? Quanta dor causou-lhes! Alguns deles choram por você em segredo. Talvez você também chore, vendo que só tem diante de si pobreza, dor, enfermidade e morte. Salve a sua vida! Se não pode se preocupar com a sua alma, tenha compaixão do seu corpo.

Quer saber o que deve fazer? Primeiro, não peque mais, aconteça o que acontecer. Prefira a fome ou a morte ao pecado. Cuide da sua alma mais do que do seu corpo. Não estou dizendo que descuide do corpo, mas trate primeiro da sua pobre alma.Você afirma não ter amigo nenhum para ajudá-la. Eu lhe asseguro que, se não tem amigos, há alguém disposto a ajudá-la. Você possui um amigo com todo o poder no céu e na terra: Jesus Cristo, o Justo. Ele amou os pecadores do seu tempo e continua amando até hoje. Aceitou que publicanos e prostitutas se aproximassem. Uma delas lavou seus pés com lágrimas e os secou com seus cabelos. Rogue a Deus para que possa estar em seu lugar! Diga Amém! Abra seu coração e isso ocorrerá. Sem demora, ele lhe dirá: “Alegre-se, mulher, que os seus pecados, ainda que muitos, são perdoados. Vá em paz e não peque mais”.

Você pergunta como conseguirá dinheiro para o pão, a comida e a roupa? Peça ajuda a Deus. Ele a ouvirá, porque jamais abandonou aqueles que o buscam. Aquele que alimenta os filhotes dos corvos permitirá que pereça por falta de alimento. Ele a proverá de uma maneira que você nunca imaginou, se buscá-lo de todo o coração. Tema mais o pecado do que a possibilidade de padecer necessidades e do que a morte. Clame com todas as forças para Aquele que perdoa os seus pecados, até que tenha o pão que o mundo não conhece, até que receba o alimento dos anjos, o amor de Deus derramado em seu coração. Clame até que possa dizer: “Agora sei que meu redentor vive, que me ama e que deu sua vida por mim. E ainda que meu corpo seja destruído, sei que verei a Deus face a face”.

 

 

2º DIA

Tema de Oração: Que tenhamos uma vida de oração constante
21 de fevereiro * Testemunho de um Jovem

Em 21 de fevereiro de 1742, um domingo, John Wesley se encontrava em Bath, cidade próxima a Bristol, Inglaterra. No culto da noite, ele pregou sobre o texto de 2 Pedro 1,4, explicando as “preciosas e grandíssimas promessas” que nos são concedidas. Participando do culto, estava um jovem que havia recebido uma graça preciosa do Senhor. Wesley reproduz, em seu Journal o testemunho desse rapaz:

John Woolley esteve por algum tempo nessa escola, mas foi expulso por mau comportamento. Logo fugiu de casa, escondendo-se em guaritas e outros lugares, dias e noites, de modo que sua mãe não conseguisse encontrá-lo. Durante esse tempo, passou fome e frio. Em certa ocasião, passou três dias sem alimento, algumas vezes chorando e orando por ele mesmo e outras, jogando com os meninos na rua.

Certa noite chegou ao Salão Novo. O sr. Wesley estava falando sobre a desobediência aos pais. O menino estava tão confuso que pensou não haver no mundo inteiro outra pessoa tão perversa como ele. Regressou à sua casa e nunca mais voltou a fugir. Sua mãe viu a mudança no seu comportamento, mas ignorava a razão. Com freqüência o rapaz ia sozinho para os montes e para o campo, para orar, deixando de lado seus companheiros ociosos.

O diabo começou, então, a instigá-lo com toda sua força, tentando levá-lo continuamente ao suicídio. Às vezes, sentia impulso de enforcar-se, outras, de lançar-se ao rio. Mas tudo isso fez com que ele se tornasse mais diligente com a oração. Certo dia, enquanto lutava com Deus, a quem viu no meio de uma inexplicável luz, se sentiu cheio de alegria e do amor de Deus e apenas soube onde estava. Sentiu tal amor por toda a humanidade que achou que poderia estender-se ao solo e deixar-se pisotear pelos seus piores inimigos.

A partir daquele momento seus pais ficaram surpresos com ele. Agora estava solícito em ajudá-los em todas as coisas. Quando eles iam à igreja, o rapaz se ocupava em cuidar dos irmãos menores e, depois de fazê-los dormir, corria até o Salão para iluminar o caminho de volta de seus pais. Não perdia a oportunidade de ouvir a pregação ou de fazer algum bem, tanto em casa como em qualquer outro lugar onde se encontrasse.

 

 

3º DIA

Tema de Oração: Para uma Igreja que proclame a Justiça
23 de fevereiro * Lutando Contra a Escravidão

O último registro do Journal de John Wesley foi feito no dia 23 de fevereiro de 1791. Ele tinha terminado de ler Gustavus Vasa, livro sobre um antigo escravo de Barbados, chamado. Olaudah Equiano. Wesley inspirou-se, então, uma palavra de encorajamento a William Wilberforce, membro do Parlamento inglês, em sua luta contra o comércio de escravos e contra a própria escravidão. Seria a última carta que Wesley escreveria em vida, dizendo o seguinte:

Caro Senhor: a não ser que o poder divino o tenha alçado  para ser um Atanásio contra mundum, não posso ver como poderá terminar sua gloriosa empresa, opondo-se àquela execrável vilania, que é o escândalo da religião, da Inglaterra e da natureza humana. A não ser que Deus o tenha verdadeiramente erguido a essa obra, o senhor será consumido pela oposição dos homens e dos demônios.  Mas se Deus for pelo senhor, quem lhe será contra? São eles todos juntos mais fortes que Deus? Não se canse de fazer o bem. Continue, em nome de Deus, e com a força do seu poder, até que a escravidão americana, a mais vil que já houve sob o sol, se desvaneça diante desse poder.

Lendo esta manhã um tratado escrito por um homem africano, me impressionou muito a circunstância de o homem com a pele escura ser maltratado pelo homem branco e não ter direito a reclamar justiça, uma vez que há uma lei em todas as nossas colônias, afirmando que o juramento de um negro contra o de um branco de nada vale. Que vilania é essa!

Que Aquele que lhe tem guiado desde sua juventude continue fortalecendo-lhe nessa e em todas as coisas. Essa é a oração de seu afetuoso servidor, John Wesley.

 

 

4º DIA

Tema de Oração: Jovens com Compromisso Total à obra de Deus
24 de fevereiro * Tristezas e Alegrias

No dia 24 de fevereiro de 1747, John Wesley visita a sociedade metodista em Tetney e a encontra bastante ativa. Já em outra visita (6/Marc./1759), depara-se com uma situação deprimente. A Sociedade em Norwich, que chegou a contar com mais de 1600 membros, estava desolada, completamente destruída. Quando se deparava com uma situação dessas, Wesley permanecia mais tempo no local e, com muita paciência, procurava recomeçar a obra.

A pequena sociedade em Tetney trouxe muita alegria a Wesley. Ele ficou tão feliz com o grupo que anotou em seu Journal a informação de que nunca havia encontrado, em toda Inglaterra, uma sociedade como aquela. Além da vida espiritual cheia de qualidade, levada pela grande maioria dos integrantes, eles também eram muito generosos quanto às contribuições financeiras. Na conversa com Micah Elmoor, judeu convertido ao cristianismo e líder da sociedade na ocasião, Wesley quis saber com detalhes como o grupo conseguia alcançar resultado tão expressivo. Elmoor explica a estratégia adotada pelo grupo: todos os membros solteiros da sociedade tinham estabelecido um compromisso de doação total à obra de Deus. Prometeram dedicar tudo o que possuíam e todo o tempo disponível a ela.  Desenvolveram também um esquema de acolher os visitantes e os novos moradores de Tetney. Todos que chegassem à cidade, sem dispor de meios financeiros, recebiam alimentação e albergue.

Sociedades como a de Tetney oxigenavam o ardor de John Wesley, animando-o ainda mais na tarefa de espalhar a santidade bíblica.

 

 

5º DIA

Tema de Oração: Que Deus nos use na tarefa de transformação de Sua Igreja
6 de março * É Possível Reorganizar

Ao mesmo tempo em que, em certos lugares, o trabalho metodista crescia e se mantinha estável, em outros ocorria exatamente o contrário. No dia 6 de março de 1759, Wesley visitou a sociedade em Norwich e descobriu que, dos quase 1.600 membros, não havia sobrado ninguém. A obra tinha se acabado completamente. No culto da noite, após a pregação, indagou se havia gente interessadas em fazer parte da sociedade. Mais ou menos 20 pessoas responderam positivamente. Conversando com elas, ele as percebeu assustadas, pois, durante muito tempo, tinham ouvido todo tipo de maldades contra ele.

Sua tarefa então era reorganizar a sociedade de Norwich e ali ele permaneceria o tempo que fosse possível. Na reunião de 1 de abril, a sociedade já contava com 570 membros, entre eles 103 novos. Se pudesse ficar mais duas semanas, talvez o número de pessoas chegaria a mil.  Diferentemente do costume tradicional, que regulamentava o funcionamento das outras sociedades, Wesley introduziu regras novas. Determinou que homens e mulheres ocupassem bancos separados e proibiu os espectadores de assistir das galerias os cultos em que se administrava a Ceia do Senhor.

 

 

6º DIA

Tema de Oração: Orando por toda liderança da Igreja Metodista
9 de março * Qualidade Espiritual

Para John Wesley, o desafio maior enfrentado pelo movimento metodista não eram as perseguições e os obstáculos externos, mas a baixa qualidade espiritual de seus pregadores e líderes. Acreditava que, se pudesse contar com 100 pregadores que nada temessem, a não ser o pecado, e desejassem somente a Deus, os resultados seriam extraordinários.

Em Um novo chamado fervoroso às pessoas razoáveis e religiosas, ele aborda o papel dos pregadores:

Será que os pregadores são tão zelosa e atentamente para ganhar almas como as pessoas, para ganhar o ouro que perece? Conhecem por experiência o que significa ‘o zelo de tua casa me consome’ ou são como esses ‘atalaias que não vigiam?’ Preocupam-se em conhecer o nome de cada membro da sua congregação, sem esquecer os mais humildes? Indagam e se interessam a respeito da vida espiritual das pessoas? Cuidam com ternura e paciência de cada vida sob seus cuidados? Preocupam-se com a caminhada espiritual de cada um, se está firme ou não, crescendo ou não na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo?

Para que o pastor realize todas as suas tarefas, é imprescindível que coloque o coração inteiro no trabalho e que não deseje outra coisa que gastar-se por amor às suas ovelhas (2 Cor 12,15). Sua meta deve ser buscar e salvar o que está perdido, conduzir as almas de Satanás até Deus, instruir o ignorante, recuperar o malvado, convencer o contraditor, guiar seus passos pelo caminho da paz e mantê-los nele, seguir-lhes passo a passo, para que não se extraviem, e aconselhar-lhes em suas dúvidas e tentações, levantar os que caem, reanimar os que desmaiam e consolar aos pusilânimes, organizar todo tipo de ajuda segundo requeiram as circunstâncias, segundo as várias necessidades das pessoas.

O trabalho pastoral não pode se resumir a pregar uma ou duas vezes por semana e realizar formalmente os serviços de uma paróquia. Um trabalho desse tipo é muito fácil e qualquer pessoa poderá fazê-lo, apenas com um pouco de bom senso. Só que não é apenas isso. Que tipo de pregadores são esses que não conseguem compreender a importância e o alcance de seu ministério?

Em nome do Senhor Jesus, o grande pastor das ovelhas, exorto a todos os meus irmãos, pregadores, para que se apliquem e coloquem o coração inteiro no trabalho. Que cada um olhe para o Senhor e lhe diga: “Sou eu Senhor? Sou eu um desses ociosos, descuidados, indolentes pastores, que não se preocupa em alimentar o seu rebanho? Sou eu um desses sonolentos, que não fortalecem a débil e não curam a enferma (Ez 34,4)? Esquadrinha-me, Senhor, e prova-me; examina meus pensamentos e meu coração (Sl 26,2) e vê se há em mim caminho mau e guia-me no caminho eterno (Sl 139,24).”

 

 

7º DIA

Tema de Oração: Clamando pela Ação do Espírito Santo
12 de março * Ação do Espírito Santo

Algumas manifestações diferentes começaram a ocorrer durante as pregações de John Wesley: pessoas gritavam, levantavam os braços, caíam ao solo e choravam. Na primeira semana de março de 1742, ele esteve pregando na região norte de Kingswood. Dia 12, avaliando o seu trabalho, conversando sobre todos os casos, cuidadosamente, e se certificando da procedência das pessoas envolvidas com aquelas manifestações, concluiu que:

1. todas elas tinham perfeita saúde e nunca haviam sofrido convulsão de nenhuma natureza;

2. as ocorrências se deram de forma imprevista, sem aviso, quando as pessoas escutavam a Palavra de Deus ou refletiam sobre o que tinham ouvido;

3. no momento em que caíram ao chão, elas perderam as forças e se viram, cada uma a seu modo, tomadas de forte dor, expressa de maneiras diversas: uma espada atravessando o corpo, um grande peso comprimindo-as contra a terra, uma tal asfixia que as impedia de respirar, um inchaço no coração prestes a rebentá-lo e a sensação de que o coração, as entranhas e o corpo todo estivessem sendo despedaçados. Desse modo, os sintomas observados não podiam ser creditados a qualquer causa natural, mas ao Espírito de Deus. Wesley não podia duvidar que Satanás estava despedaçando aqueles que se aproximavam de Cristo.

Ainda naquele ano ele comentou em seu Journal (30/dez.), certas manifestações ocorridas nos cultos, tendo examinado meticulosamente todos os casos. Alguns não eram capazes de descrever o que lhes acontecia, apenas que, a certa altura do culto, se viam caídos no chão, gritando e sem controle do que falavam. Wesley estava convencido de que aquilo tudo era obra de Deus e, portanto, não cabia nenhuma repreensão: “Que sabedoria é essa que se atreve a repreender essas pessoas, dizendo que devem permanecer silenciosas? De modo algum! Deixem que clamem por Jesus de Nazaré até que Ele responda ‘Tua fé te salvou’”.

 

 

8º DIA

Tema de Oração: Orando pelas pessoas enfermas
15 de março * “Ai de Mim se não Pregar o Evangelho”

Na manhã de 15 de março de 1761 John Wesley pregava para uma platéia atenciosa em Wednesbury. Tinha marcado um segundo culto à tarde, mas não se encontrava bem de saúde, com forte dor nas costas e na garganta. Mas já está acostumado a situações como aquela: em várias outras ocasiões em que estava indisposto fisicamente, acabava se recuperando durante a pregação. Assim, decidiu pregar até onde fosse possível.

Pronta para ouvi-lo estava uma multidão de 8 a 10 mil pessoas. Em pé, na esquina da capela, ele leu o texto de Filipenses 3,8: “Considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo para ganhar a Cristo”. O sermão atingiu o objetivo: muitas pessoas foram atraídas para o Evangelho e centenas delas reafirmaram o compromisso de continuar servindo Jesus Cristo.

Terminada a pregação, as enfermidades haviam desaparecido. À noite, na reunião do ágape, homens e mulheres falaram de suas experiências de tal maneira que todos se comoveram. Alguém disse: “Por 17 ou 18 anos pensei que Deus havia se esquecido de mim. Nem eu, nem ninguém da minha casa podia crer. Mas agora, bendito seja Seu nome, Ele tomou a mim e a toda minha casa e deu a oportunidade a mim, à minha esposa e aos nossos sete filhos de, juntos, nos alegrarmos em Deus nosso Salvador”.

 

 

9º DIA

Tema de Oração: Para uma Igreja que busque o Avivamento
18 de março * Avivamento Necessário

O Journal (18/mar./1761) de Wesley descreve uma porção de acontecimentos importantes, confirmando a maravilhosa ação de Deus em Wednesbury.

Em conversa com vários moradores, ávidos por testemunhar o que Deus estava realizando em suas vidas, Wesley concluiu que ocorria ali um avivamento semelhante ao da cidade de Londres. Ficou muito feliz ao reconhecer que o movimento metodista produzia frutos admiráveis em todos os cantos e tinha motivos de sobra para esperar que tais sinais significavam apenas o início de uma grande obra.

Em todos os cultos, havia libertação. No de domingo de manhã, um prisioneiro de Satanás foi posto em completa liberdade durante o sermão. No sábado à noite, outro se derramou e aceitou Jesus Cristo. Diversos receberam o perdão de seus pecados. Na segunda e na quarta,  pessoas “creram que o sangue de Jesus Cristo os limpou de todos os pecados” (1 Jo 1,7). Naquela quarta-feira, 18 de março, a graça misericordiosa de Deus esteve presente e muitos suplicaram: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me” e ouviram resposta idêntica àquela oferecida por Cristo ao leproso: “Quero, sê limpo” (Mt 8,3). Muito feliz ao verificar que o Senhor honrava o seu ministério, Wesley disse: “A presença de Deus foi tão maravilhosa até a meia-noite,como se tivesse curado toda a congregação”.

 

 

10º DIA

Tema de Oração: Fortalecimento da Escola Dominical
23 de março * Escola Dominical

Alegro-me pelo fato de você ter criado escolas dominicais em Newcastle. Essa  tem sido, por muitos séculos, uma das melhores instituições da Europa e fará mais e melhor, se professores e inspetores cumprirem o seu dever. Nada impedirá o êxito dessa bendita obra, a não ser a negligência. Portanto, você deve vigiá-los com cuidado, para que não se cansem de fazer o bem.

Essa carta de John Wesley foi enviada a Charles Atmore, em 24 de março de 1790. Uma  outra, dirigida a  Mary Bishop anos antes (21/maio/1781), também enfatiza como fator determinando do sucesso de uma escola a seriedade e dedicação de seus professores na tarefa de transformar os alunos em cristãos.

Quando Molly Maddern ensinava umas poucas crianças em Kingswood, vi uma escola verdadeiramente cristã. Forjar cristãs era a sua primeira preocupação para com as meninas. Só depois lhes ensinava o que as mulheres precisam aprender. Assim como nessa escola, também não encontrei defeito na de Leytonstone,  funcionava sob os cuidados da Srta. Bosanquet. Não observei nada do que era feito que devesse ser omitido, nem nada de omitido que devesse ser feito.

Posso falar sem reserva? Creio que sim. Esperava ver uma escola cristã em Publow e, por um tempo, a vi. Não sei como expressá-lo. Não vi a simplicidade do início, uma atmosfera mundana parecia estar ali se infiltrando. Admiro a boa educação, mas é difícil mantê-la livre de superficialidades e atitudes em desacordo com o sentimento que havia em Cristo!

Quero que os estudantes sejam educados da mesma forma que a Srta. Bosanquet educava os seus. Apesar de muito bem educados, havia, sem dúvida, algo neles que denotava o fato de pertencerem a outro mundo. A sra. Castleman foi uma das estudantes de Molly Maddern.  Como se vê, ela é educada e também cristã.

Forje cristãs, minha estimada Srta. Bishop!  Forje cristãs! Que essa seja sua meta. Forje cristãs como Miranda, a Srta. Ritchie e como foi a srta. J.C. March. Permita a  tudo o mais que você ensina subordinar-se a essa meta. Ocupe-se dela.

 

 

11º DIA

Tema de Oração: Unidade
1 de abril * Divisão é Armadilha Diabólica

Wesley recomendava aos pregadores não perder nenhuma oportunidade de proclamar os metodistas como um povo unido. Um dos temas que mais o preocupava era a possibilidade de uma divisão. Sabia que separar-se da Igreja Anglicana era um convite ao vírus da intolerância e da divisão, e seus desdobramentos, no meio metodista.

De acordo com o seu sétimo discurso sobre o sermão do monte, baseado em Mateus 6, 16-18, a armadilha utilizada mais comumente por Satanás é a divisão. Sua meta é separar aquilo que foi unido por Deus. Mas a divisão não ocorre apenas como resultado do conflito entre pessoas e grupos, a mais sutil e ambiciosa é divisão da própria religião em duas parcelas opostas, uma exterior e outra interior.

Por meio dessa maquinação sutil de Satanás, a fé tem sido colocada paralelamente ao lado das boas obras, como se fossem distintas e inconciliáveis. Muita gente zelosa e sincera caiu nessa armadilha diabólica. Alguns exaltam a fé a tal ponto que excluem completamente as boas obras, negando-lhes não apenas a causa de nossa justificação, pois sabemos que o homem é justificado gratuitamente mediante a redenção em Jesus Cristo, mas também como frutos necessários da fé. Outros, procurando evitar esse erro, tomam direção oposta e sustentam que as boas obras são a causa e a condição prévia de nossa justificação, representando a religião completa de Jesus Cristo.

Da mesma maneira, o fim e os meios da religião também são tidos como opostos.  A vida cristã de pessoas cheias de boa intenção consiste em assistir os cultos, tomar a Ceia do Senhor, ouvir sermões e ler livros piedosos, deixando de lado a finalidade de tudo isso, o amor a Deus e ao próximo. Tal prática tem se tornado muito comum, fazendo com que os mandamentos de Deus sejam esquecidos e desprezados.

Entre os meios de graça, o mais violado por essa postura maniqueísta e separadora é o jejum. Alguns cristãos exaltam a prática do jejum a ponto de extrapolar o bom senso, indo muito mais além dos ensinamentos da Escritura Sagrada. Outros, pelo contrário, o desprezam completamente, como se fosse uma prática ultrapassada e inócua. Aqueles falam do jejum como se fosse um ato infalível, um fim em si mesmo. Estes, como se nada significasse, como se fosse uma atividade estéril sem relação com a verdadeira religião. As duas posições estão equivocadas. A verdade sobre o jejum está no meio desses dois modelos. O jejum não é tudo, mas também não é irrelevante. Não é um fim em si mesmo, mas é um meio precioso que leva a esse fim. É um meio de graça estabelecido por Deus e, quando for utilizado com sabedoria e de acordo com os princípios ensinados pela própria Bíblia, há crescimento espiritual e, as bênçãos serão abundantes.

 

 

12º DIA

Tema de Oração: Possamos semear e amar uns aos outros
7 de abril * O Bom Samaritano

Em 7 de abril de 1755, em viagem a Manchester, John Wesley vivenciou algumas interessantes experiências. Na metade do caminho, durante uma pausa para o almoço, se aproximou de uma mulher sentada na cozinha e perguntou-lhe se estava bem, pois sua aparência não era saudável.  Ela havia estado recentemente enferma, com todos os sintomas de uma pleurisia. Leigo apaixonado pela medicina, ele recomendou a ela um remédio simples, fácil, barato e quase infalível no combate àquela doença. Passou-lhe a receita: bastava um punhado de urtiga, fervida por alguns minutos, e aplicada nas costas. A mulher ficou feliz com a atenção de Wesley e mais ainda com a descoberta da chance de curar-se.

Enquanto ele tomava sua refeição, um ancião bem vestido explicou estar regressando à sua casa, perto de Hounslow, na esperança de chegar a um acordo com seus credores, a quem já havia entregue todos os bens. Lamentou não saber como continuar a viagem, pois estava sem dinheiro e havia contraído uma febre terçã. Wesley ofereceu-lhe pequena ajuda e prometeu interceder junto a Deus por ele, confiando que a sábia Providência dirigiria seus passos, de maneira a encontrar remédio para os seus males.

Adiante, Wesley alcançou um pobre homem arrastando-se com as muletas. Estava indo para Nottingham, onde vivia sua esposa. Suas duas pernas tinham quebrado a bordo de um barco e, cuidando de sua saúde, havia gasto praticamente todo o seu dinheiro. Em seu Journal, Wesley anota que também aquele homem mostrou-se agradecido com a conversa e pronto para aceitar a mão de Deus.

À tarde, na chegada a Barton Forge, levando o cavalo até um ferreiro para trocar as ferraduras, contatou cinco ou seis famílias e falou-lhes do Evangelho. À noite, durante sua pregação, lá estava a maior parte das pessoas com quem tinha estado ao longo do dia. Com todo o carinho, Wesley exortou a todos a se amar e a se ajudar uns aos outros.

 

 

13º DIA

Tema de Oração: Para uma Igreja que o principal pilar seja a Oração
9 de abril * Culto de Vigília

Os cultos de vigília entre os metodistas foram instituídos oficialmente em 9 de abril de 1742, em Londres. Recomendava-se serem marcados uma vez por mês, numa sexta-feira, preferencialmente a mais próxima da lua cheia. O objetivo era facilitar a presença de um grupo maior de pessoas. Como a vigília terminava sempre após a meia noite, a claridade da lua ajudava a caminhada das pessoas que moravam mais distante dos locais de reunião.

Antes dessa instituição formal, os metodistas já se reuniam em vigília. Tudo começou quando alguns da sociedade de Kingswood passaram a se reunir nas noites de sábado para oração, louvor e gratidão a Deus. O objetivo era cumprir a recomendação apostólica de “vigiar e orar”. Entretanto, praticamente uma década antes, alguns membros do Clube Santo já faziam algo nesse sentido. Benjamim Ingham (com hesitante encorajamento de John Wesley), passou a reunir alguns metodistas de Oxford para passar parte da noite do sábado em vigília, como preparação ao domingo. Mais tarde, em maio de 1741, também em Kingswood, Charles Wesley “fazia vigília” com seu irmão John. A experiência foi tão boa, que Charles anotou em seu Journal: “Gostaria que esse costume primitivo fosse reavivado entre todos os nossos irmãos”

John Wesley via com bons olhos o novo hábito adotado em Kingswood. Além do precedente dessas “assembléias à meia-noite” nas igrejas primitivas, que se estendiam na madrugada, tal prática estava de acordo com as “vigílias” da Igreja da Inglaterra. Ele achava que todas as sociedades deveriam adotá-la. A recuperação desse antigo hábito cristão poderia ser um meio eficaz para salvar uma alma da morte ou “tirar o tição da fogueira”. Os mineiros, que antigamente passavam as noites na taberna, agora podiam gastar esse tempo em oração.

 

 

14º DIA

Tema de Oração: Buscando Santidade
15 de abril *   Santificação é o Grande Tesouro

Em abril de 1777, John Wesley lançou os alicerces da nova capela metodista na City Road. Na ocasião, ele pregou com base no texto de Números 23,23, abordando o metodismo como o “despertamento e o progresso de um extraordinário trabalho de Deus”. Segundo ele, o metodismo não consistia numa nova religião, mas na “antiga” religião da Bíblia, da igreja primitiva.

Anos depois, já no final do seu ministério, ele reflete sobre a singularidade do metodismo,  dizendo que “a doutrina da santificação é o grande tesouro depositado por Deus nas mãos do povo chamado metodista”. Entretanto, nem todos os pregadores do movimento assumiram devidamente essa norma, resumida por Wesley para Robert C. Brackenbury, em 15 de setembro de 1790. Os pregadores metodistas formavam um grupo heterogêneo e exigiam acompanhamento constante: alguns, de determinado circuito que nem sequer abordavam o tema  do grande tesouro depositado por Deus; outros se concentravam exclusivamente na temática do amor de Deus.

Ao irmão Carlos, que, durante certo período, esteve incumbido de examinar os pregadores metodistas, John Wesley assinalou, em julho de 1766: “Busca o que puderes até encontrar o que quiser. Não espere homens sem mancha nem rugas”. Em 1751, preocupado com o fato de não ter pregadores suficientes para cuidar das sociedades já estabelecidas, John recomendou ao irmão  não ser tão inflexível na avaliação, nem reprovar “os jovens sem muita necessidade”.

Para conseguir o mínimo de unidade entre os pregadores Wesley teve de se esforçar bastante. Ao amigo Charles Perronet, confidenciou: “Se pudéssemos, por uma vez, levar todos os nossos pregadores, itinerantes e locais, uniforme e firmemente a insistir nos dois pontos Cristo morrendo por nós e Cristo reinando em nós, abalaríamos as trêmulas portas do inferno”.

Visando a essa tão desejada unidade nasceu, em 1746, um projeto de regulamentar a recepção de novos pregadores. Esse exame dos pregadores constava de inúmeras perguntas:

Eles sabem em quem têm crido? Possuem o amor de Deus em seus corações? Desejam e buscam somente a Deus? Eles são santos em todo o seu comportamento?  Têm dons (e também a graça) para o trabalho? Possuem (em um grau tolerável) compreensão clara e profunda? Conservam o julgamento correto das coisas de Deus? Trazem consigo a concepção justa da salvação pela fé? Deus lhes deu o dom da elocução? Falam justa, fácil e claramente?  Têm frutos? Falam, em geral, apenas para convencer ou influenciar seus ouvintes? Ou têm obtido a remissão dos pecados mediante suas pregações? E também uma sensação clara e duradoura do amor de Deus?

 

 

15º DIA

Tema de Oração: Jejuando e Orando: Buscando a Graça de Deus
30 de abril * Valorizando o Jejum

John Wesley aconselhava muitos pregadores a seguir o exemplo de Samuel Meggot, que, por meio do jejum, conseguiu dinamizar um circuito que estava capenga. Com base em Mateus 6, 16-18, explica como deve ser o jejum:

Em primeiro lugar, é fundamental que se volte exclusivamente ao Senhor e que nossos olhos estejam sempre fixos Nele. Que nossa intenção seja glorificar nosso Pai que está nos céus, expressar nossa vergonha e dor pelas transgressões cometidas contra Sua santa lei, aguardar o aumento da graça purificadora, fixar nossos afetos nas coisas do alto, acrescentar seriedade e honestidade às nossas orações, apartar a ira de Deus e obter as grandes e preciosas promessas que Ele nos fez por meio de Jesus Cristo.

É preciso tomar cuidado e evitar que o jejum se converta em prática para alcançar o reconhecimento das pessoas. Contra isso há a admoestação do Senhor: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; que desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam.(Mt 6,16).

Outro risco muito freqüente é o de transformar o jejum em obra meritória. Muitos imaginam que, jejuando, se tornam merecedores de alguma coisa. O desejo de estabelecer nossa própria justiça, de procurar a salvação por mérito e não por graça, é algo profundamente arraigado nos corações humanos. Não devemos imaginar que o mero e formal cumprimento do jejum atrairá inevitavelmente a bênção divina. O jejum não é uma armadilha com vista a alcançar algum fruto, por mais honroso e necessário que seja. Também não é uma prova de resistência. A saúde, dom de Deus, deve ser preservada. Qualquer esforço extraordinário, comprometedor da saúde, transforma o jejum em sacrifício, obra humana.

O jejum é um precioso meio de graça, devendo ser realizado em todas as oportunidades possíveis, acompanhado de ardente oração, do derramamento da alma diante de Deus e da  confissão, ao Senhor, dos pecados, culpabilidades e desamparos. Que sejam feitas orações por nós mesmos, por nossos irmãos, pelo povo de Deus e por toda a humanidade.

Para que o jejum seja completo, é necessário estar associado a obras de misericórdia, como disse o anjo do Senhor a Cornélio, em seu jejum e oração: “Suas orações e suas esmolas elevaram-se para memória diante de Deus” (At 10,4).

 

 

16º DIA

Tema de Oração: Buscando a Plenitude do Conhecimento em Deus
3 de maio * Falando Sobre Perfeição Cristã

Numa ocasião, no ano de 1763, John Wesley pregou à sociedade metodista de Yarm. Conversando com as pessoas, percebeu logo que quase ninguém conhecia ao certo a doutrina da perfeição cristã.  Os outros pregadores metodistas que passaram por ali não falaram sobre o tema. Além do esquecimento da doutrina, outro motivo ainda mais forte produzia todo aquele descrédito: a rudeza de nossos pobres irmãos de Londres tinha desprestigiado aquela sociedade  num raio de mais de 320 quilômetros.  Ou seja, os defensores da perfeição tinham provocado mais danos que todos os adversários juntos.

Em Breves reflexões sobre a perfeição cristã, escrito no início de 1767, Wesley afirma:

Hoje de manhã vieram à minha mente algumas idéias a respeito da perfeição cristã, sobre como e quando a recebemos.  Cri que poderia ser útil escrevê-las.

Entendo por perfeição a condição de amar a Deus e ao próximo com um amor humilde, amável, paciente, e que governe nossa maneira de ser, de falar e de agir.

Não creio ser impossível perde-la, parcial ou totalmente. Ao afirmar isso, corrijo muitas expressões de nossos hinos, que em parte afirmam e em parte sugerem essa impossibilidade. Não insisto em usar o termo livre do pecado, tampouco me oponho ao seu uso.

Com respeito ao modo da perfeição, creio que ela se produz na alma por um simples ato de fé. Ocorre, portanto, num instante.  Porém, antes e depois desse momento, há uma obra de Deus gradual e progressiva.

Quanto ao tempo da perfeição cristã, acredito que geralmente é o momento da morte, antes da alma se desprender do corpo. No entanto, também pode ocorrer 10, 20 ou 40 anos antes.  O usual é dar-se vários anos depois da justificação, mas desconheço qualquer razão conclusiva para negar sua ocorr6encia em 5 anos ou em 5 meses.

Se é necessário que transcorram muitos anos após a justificação, gostaria muito de saber o número deles. Quantos dias, meses, ou anos podem transcorrer entre a perfeição e a morte? Quão afastada da época da justificação e tão próxima da morte?

 

 

17º DIA

Tema de Oração: Orar por pessoas que precisam de libertação espiritual
19 de maio * Batalha Espiritual

Wesley registrou a dramática história da conversão de uma jovem no dia 19 de maio de 1746, uma segunda-feira.  A moça, bastante sensata, levava uma vida tranqüila, acreditando ser boa cristã, pois cumpria rigorosamente os requisitos exigidos pela sua igreja. Numa ocasião, a moça ficou doente, sofrendo violentas febres. O médico que tratava de sua enfermidade confidenciou aos familiares a gravidade do caso e ausência de chances de ela sobreviver.  Descobrindo a sua grave situação, a moça disse: “Quer dizer que vocês vão ao céu e eu ao inferno!” Segundo seu irmão, a partir daquele momento, ela ficou desesperada e agonizante, afirmando já estar no inferno, sentir as suas chamas e o diabo á possuir sua alma e a dividir seu corpo em pedaços.

Foi longa e terrível a batalha da jovem. Sentia-se comendo fogo e enxofre e, por isso, parou de se alimentar.  Durante 12 dias nada ingeriu e por mais de 20 dias só tomou água. Não dormia nem de dia nem à noite. Permanecia deitada, maldizendo e blasfemando, rasgando as roupas e quebrando tudo ao seu alcance.

John Wesley visitou-a justamente no período em que ela vivia a sua maior agonia. Para ele, o pecado mais pesado da moça era desconhecer a Deus ou O seu amor, não crer em Jesus Cristo e, ainda assim, ter se convencido e aos outros de ser uma boa cristã. Após sua oração, a jovem parou de se agitar e de dizer blasfêmias. Dias mais tarde, ela começou a tomar um pouco de chá e, aos poucos, recuperou-se totalmente da enfermidade. Seu pesar e agonia transformaram-se em paz e alegria. Ela sentiu então a segurança da salvação em Jesus Cristo.

 

 

18º DIA

Tema de Oração: Por transformação radical de caráter da juventude
23 de maio * Doutrinas Importantes

Muitos pensam que o novo nascimento e a justificação são apenas modos diferentes de expressar a mesma coisa e são dons oferecidos ao crente num único instante. John Wesley, por sua vez, explicar ser fundamental ao cristão compreender bem esses dois termos, uma vez que a falta de discernimento sobre eles tem provocado grande confusão. Foram ditas e escritas coisas admiráveis acerca da justificação sem se ter uma idéia clara do significado do novo nascimento. Alguém teria conseguido escrever com mais precisão que Martinho Lutero sobre a justificação pela fé? E, sem dúvida alguma, não há ninguém mais ignorante que ele quanto ao tema da santificação!

O esclarecimento de Wesley sobre a diferença entre os dois termos aparece nos sermões O grande privilégio dos que são nascidos de Deus e A vinha do Senhor.

A justificação implica somente uma mudança relativa, ao passo que o novo nascimento exige uma mudança real. Ao justificar-nos, Deus faz algo por nós; ao engendrar-nos novamente, Ele atua em nós. Com a justificação, muda a nossa relação com Deus, de modo que, de inimigos, passamos a ser Seus filhos. Com o novo nascimento, há uma transformação radical em nossas almas: de pecadores chegamos a ser santos. Uma restaura em nós o favor de Deus,  outro restaura em nós a imagem de Deus. Uma tira o pecado,  outro tira o poder do pecado.

O novo nascimento começa no preciso momento em que a pessoa é justificada. Quando alguém é justificado, “nasce de novo, nasce do alto, nasce do Espírito” (João 3, 3-8). É o primeiro passo, o início do caminho. Assim como, após o parto, quando a criança vem ao mundo, há o crescimento progressivo, em estatura, força e inteligência, ocorre a mesma coisa com o nascimento espiritual. Depois do nascimento há uma continua caminhada em direção ao crescimento espiritual. Não se trata somente de mudança exterior, de ébrio à sóbrio, de ladrão a honesto, por exemplo. Há também transformação interior, do caráter pecaminoso pelo de santidade, do orgulho em humildade, da ira em mansidão, do eterno descontentamento e insatisfação em paciência e resignação.

Em resumo, trata-se da transformação de nossa mente terrena, animal, diabólica para que haja em nós o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2,5).

É preciso compreender que num não pode ser considerado superior ao outro. A justificação não é mais e nem menos importante que a santificação Cada um tem o seu próprio espaço. Devemos, do mesmo modo e com o mesmo entusiasmo, sustentar a doutrina da justificação plena, gratuita e presente, assim como a doutrina da completa santificação de vida.

 

 

19º DIA

Tema de Oração: Por uma Igreja Sarada
12 de junho * Pessoas Machucadas

Uma sociedade metodista de Newcastle atravessava fase muito difícil, quando, em 12 de junho de 1774, John Wesley visitou-a para informar-se dos problemas ali ocorridos. Nem mesmo Peggy Spenser e Sally Blackburn, pessoas importantíssimas e grandes amigas suas, estavam presentes à reunião, comprovando a seriedade da situação.

À noite, chamadas para conversar, Peggy Spenser decidiu-se, felizmente, a se reintegrar ao grupo.  Já Sallay Blackburn recusou-se até mesmo à conversa. Em prantos, acabou trazida quase à força, mas não se permitiu sequer um olhar ou uma palavra a Wesley.

O que teria acontecido para machucar tanto aquelas pessoas? Conforme fora averiguado, as causas da triste situação, nos últimos dois anos, da obra de Deus naquele lugar eram: 1. nenhum dos pregadores foi capaz de portar-se como um pai para os recém-nascidos; 2. Jane Salkeld, ativa na obra, casou-se e foi impedida de reunir-se com os jovens, não restando ninguém para assumir o seu lugar; 3. a maioria dos ativistas na sociedade era de homens e mulheres solteiros e, em pouco tempo, criaram afeição desordenada entre si, afligindo o Espírito Santo de Deus e resultando em separações; 4. muitos líderes subestimaram a obra de Deus e chamaram de engano a santificação, de modo que afligiram-se ou se encheram de cólera, acabando por debilitar-se; 5. conseqüentemente, o amor esfriou e a desilusão, os ciúmes, o rancor e as conjecturas malévolas se multiplicaram.

 

 

20º DIA

Tema de Oração: Jovens que gerem frutos santificados
13 de junho * Pregando no Cemitério

Após as já conhecidas resistências iniciais, a pregação ao ar livre tornou-se característica do movimento metodista. De todos os novos e naturais templos, o mais famoso foi o cemitério de Epworth. A lápide de Samuel Wesley, pai de John Wesley, tornou-se um púlpito muito conhecido.

Em 13 de junho de 1742, Wesley ali pregou, a uma grande multidão de pessoas, sobre o  capítulo 5 do Evangelho de Mateus, início do Sermão do Monte. O culto começou às 6 da manhã e estendeu-se por quase três horas, pois a multidão não abandonava o local. Vendo a extraordinária obra de Deus naquele lugar, Wesley observava oportunamente:

Ninguém pense que o seu trabalho de amor se perde quando os frutos não aparecem imediatamente. Meu pai trabalhou aqui durante quase 40 anos, mas viu poucos resultados do seu esforço. Também vivi muitas lutas aqui e parecia ter gasto minhas forças em vão.  Mas agora o fruto aparece. Não havia quase ninguém entre o povo  que tanto meu pai como eu não tivéssemos experimentado alguma aflição.  Porém, a semente semeada tempos atrás agora germina, trazendo arrependimento e perdão de pecados.

 

 

21º DIA

Tema de Oração: Ore para uma Igreja que se preocupe coma Missão de forma Integral
19 de junho * Escola para Crianças Pobres

Em junho de 1739, Wesley se encarregou de resolver um problema que angustiava os moradores de Bristol. Não havia escola nas instalações das minas de Kingswood e ele se  preocupava com as crianças pobres, que deviam não só aprender a ler, escrever e contar, mas também conhecer Jesus Cristo e a Palavra de Deus. Assim, levou avante um plano concebido inicialmente por Whitefield: construir uma escola perto de Two-Mile Hill, com espaço para pregação, acomodação de dois professores e destinada a estudantes de todas as idades, incluindo idosos. A nova escola foi construída em Kingswood, fora de Bristol.

Três semanas antes da reabertura dessa escola, em 24 de junho de 1748, a Conferência estabeleceu as regras e seu currículo, com o objetivo de instruir crianças “em todos os ramos do conhecimento útil”, do alfabeto às qualificações apropriadas ao “trabalho do ministério”. A lista de matérias era impressionante: leitura, escrita, aritmética, francês, latim, grego, hebraico, álgebra e música.

Para as matérias de inglês e cinco outras línguas, Wesley escreveu e publicou gramáticas.   A primeira turma, de estudantes de seis a dez anos de idade, teria línguas, tradução e versão de livros como Instruções para Crianças e Praelectiones Pueriles. Na terceira série, os alunos leriam as Confissões de Santo Agostinho, e na quarta, Cesar. Na sétima série, nível máximo, seria feita a leitura da Ilíada de Homero, de versos em grego e da Bíblia Hebraica. A expectativa era de que qualquer estudante com o currículo de Kingswood seria melhor que 90% dos graduados em Oxford e Cambridge.

A severidade do programa igualava em rigor a disciplina acadêmica. A rotina começava com orações particulares e cânticos, às 4 da manhã, seguindo-se com as matérias acadêmicas, práticas devocionais e refeições até o horário de dormir, às 8 horas da noite. Os período da manhã e tarde terminavam com um intervalo para andar ou trabalhar. A ausência de recreação era explicada simplesmente com a frase: “Aquele que brinca quando criança brincará quando for homem”. O cardápio, organizado cuidadosamente por Wesley, incluía jejum nas sextas-feiras até as 3 horas da tarde por todos que estivessem com saúde.

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